A pandemia do novo coronavírus ocasionou uma mudança gritante em antigos hábitos e criou novas rotinas. Se antes estávamos acostumados a fazer exercícios ao ar livre ou com o acompanhamento de um profissional especializado, agora precisamos nos readaptar e nos exercitar por meio de vídeos na internet ou videochamadas.

No quesito alimentação, há uma incógnita: é bom ter mais tempo para preparar as refeições ou o tempo ocioso dentro de casa faz com que fiquemos ansiosos e, assim, consumamos mais alimentos de forma desornada e compulsiva? O Centro Oeste Popular conversou com a médica endocrinologista Renata Gabrielly Custódio Pinto (@drarenatagabrielly) sobre saúde, exercícios e alimentação em tempos de pandemia. Confira a entrevista na íntegra.

Centro Oeste Popular: O isolamento social é algo que pode ser considerado bom ou ruim para os hábitos alimentares? Qual a justificativa?

Endocrinologista Renata: Os brasileiros já se enquadravam em uma das populações mais ansiosas do mundo. Com o isolamento social, houve um aumento de taxa considerável após a pandemia. Isso, em alguns casos, reflete diretamente na alimentação, pois a ansiedade faz com que busquemos alimentos que irão nos trazer calma ou prazer temporário, como o açúcar.

Outro fator que impacta é que o isolamento social, de acordo com pesquisas, fez com que houvesse um aumento de pelo menos 38% dos pedidos de entrega de comida em casa. E, infelizmente, os pedidos não são de alimentos balanceados ou saudáveis. Por outro lado, estar em casa por mais tempo nos dá a oportunidade de cuidarmos de nossa alimentação de uma forma diferenciada e mais atenta, já que é uma ótima oportunidade para fazermos nossa comida. Não há nada mais saudável que uma alimentação feita em casa.

Centro Oeste Popular: Como a alimentação pode contribuir para evitar o contágio do novo coronavírus?

Endocrinologista Renata: A principal prevenção do novo coronavírus é o cuidado básico de higiene, como a lavagem da mão e o uso de máscaras. Porém, sabe-se que um indivíduo saudável tem menores chances de ter sintomas de agravamento. Assim, é recomendado que mantenhamos hábitos de vida saudáveis durante o isolamento para evitar fatores de risco que possam agravar a doença, como a obesidade.
Um acordo realizado nos Estados Unidos revelou que a obesidade pode amplificar a resposta pró-inflamatória da infeção viral extensa. Pesquisadores também pontuaram que a presença de grande quantidade de tecido adiposo prolonga a presença do vírus no organismo, sendo necessário ainda mais estudos sobre o tema. Ainda assim, é de suma importância a manutenção de hábitos saudáveis durante o isolamento social.

Centro Oeste Popular: Quais os alimentos recomendados para a ingestão e aumento da imunidade?

Endocrinologista Renata: Existem alguns estudos que demonstram a importância da vitamina C, vitamina D e o zinco como um alicerce na manutenção da nossa imunidade. A vitamina D pode ser adquirida tomando banho de luz solar sem o uso do protetor por pelo menos 15 minutos por dia. Muitas vezes apenas a exposição solar não é suficiente ou recomendada, dependendo do paciente, sendo então importante a suplementação. Assim é recomendada a avaliação dos níveis sanguíneos por um médico.
O zinco está presente em alimentos como chocolate amargo, semente de linhaça, camarão, castanha de caju, amendoim, feijão e gema de ovo. A vitamina C em alimentos como caju, goiaba, brócolis, tomate, laranja, mamão e limão. É importante ressaltar que qualquer alimento ingerido só trará seus benefícios se forem absorvidos de forma correta, sendo de uma importância uma boa saúde intestinal nesses casos.

Centro Oeste Popular: Nos casos de ansiedade citados anteriormente, como controlar as compulsões e manter a saúde e uma dieta equilibrada?

Endocrinologista Renata: Um dos principais motivos de não conseguir manter uma vida equilibrada é a saúde mental, sendo muito importante neste momento o acompanhamento de um médico especializado nessa área para ver a necessidade de terapia ou tratamento medicamentoso. Em alguns casos, adicionar alimentos como chá calmantes no dia a dia pode ser um resultado positivo, como a camomila, capim limão, matchá, melissa, valeriana e maracujá. Outros alimentos que podem ajudar são o chocolate amargo, a banana, o abacate e a aveia. Esses alimentos possuem triptofano, que é importante na sensação de bem estar.

Centro Oeste Popular: O sedentarismo também é um fator preocupante, visto que o isolamento impossibilitou a prática de algumas atividades físicas. Como isso pode ser driblado?

Endocrinologista Renata: Hoje com a internet é possível fazer aulas online com o acompanhamento de um profissional da área. Também, existem canais na internet, como o youtube e aplicativos, que possuem aulas sem custo nenhum e que podem ser realizados na sala de estar. O mais importante é fazer algum tipo de exercício pelo menos três vezes na semana. Não precisa ser perfeito, mas deve ser feito. Não podemos deixar os nossos cuidados no modo pause para depois da pandemia. Devemos nos cuidar agora mais do que nunca.

Fonte: https://www.copopular.com.br/entrevista-da-semana/devemos-nos-cuidar-agora-mais-do-que-nunca-afirma-endocrinologista-sobre-pandemia/53392